SABELLI CAPITAL
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20 de agosto de 2026

Seguro de vida ainda vale a pena? Revisitamos a entrevista de Cesar Sabelli cinco anos depois

Composição institucional no padrão visual da marca (fundo azul marinho, monograma SC na cor de Seguros). Alt text: “Ilustração institucional Sabelli Capital sobre seguro de vida, com o monograma SC na cor de Sabelli Seguros.”

Em janeiro de 2021, o portal Eu Quero Investir publicou uma reportagem sobre o crescimento do seguro de vida no Brasil. Um dos especialistas ouvidos foi Cesar Sabelli, então à frente da Sabelli Corretora de Seguros. Cinco anos depois, com a Sabelli Capital já estruturada como multi family office e o mercado de seguros bem diferente daquele momento, vale perguntar: o que aquela entrevista dizia ainda se sustenta hoje?

Fomos aos números atuais para responder com dados, não com impressão.

O que dizia a reportagem de 2021

A reportagem partiu de um dado concreto da época: as vendas de seguro de vida haviam crescido 11% em 2020 (dado apurado até novembro daquele ano, com base em boletim da Susep, a Superintendência de Seguros Privados). O crescimento chamava atenção porque acontecia em meio à pandemia, quando o tema proteção financeira ganhou peso na vida das famílias brasileiras.

Ao ser consultado sobre como escolher um seguro de vida, Cesar Sabelli resumiu a lógica central que orienta o setor até hoje:

“Um solteiro sem dependentes financeiros, por exemplo, tem necessidades de proteção de saúde e capacidade laboral, enquanto que alguém que tenha dependentes financeiros, além dessas necessidades, também tem necessidades de cobertura por ausência prematura ou sucessão patrimonial, para cobrir financeiramente os dependentes frente a uma ausência.”

CESAR SABELLI, na época proprietário da Sabelli Corretora de Seguros, em entrevista ao Eu Quero Investir (2021)

Em outras palavras: não existe um seguro de vida ideal para todo mundo. O texto original também trazia uma regra prática de orçamento (algo como 70% para despesas correntes, 20% a 25% para investimentos e reserva de emergência, e 5% a 10% para seguro de vida) e mencionava prêmios de entrada a partir de cerca de R$ 20 por mês.

O crescimento não parou, e em termos reais acelerou

O primeiro ponto que checamos foi o mais fácil de verificar: o setor continuou crescendo?

11%

CRESCIMENTO EM 2020 (ATÉ NOV.) · SUSEP

12,13%

CRESCIMENTO NOMINAL EM 2025 (ATÉ SET.) · SUSEP

6,59%

CRESCIMENTO REAL EM 2025, JÁ DESCONTADA A INFLAÇÃO

É uma taxa de crescimento na mesma faixa da observada em 2020, e o fato de ela ter se mantido ao longo de cinco anos, atravessando ciclos econômicos diferentes, é um indício mais forte de tendência estrutural do que o número isolado de um único ano.

Vale uma ressalva de comparação: o dado de 2020 citado na reportagem original cobria até novembro, enquanto o dado de 2025 cobre até setembro. Não são exatamente o mesmo período do ano, então a comparação deve ser lida como direcional (o setor de seguro de vida seguiu em expansão consistente), não como uma coincidência estatística exata entre os dois números.

O mercado de seguros como um todo também ganhou escala. Só nos nove primeiros meses de 2025, o setor de seguros de pessoas e danos movimentou R$ 164,82 bilhões, um avanço nominal de 7,45% sobre 2024. E as projeções da CNseg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais) para 2026 apontam crescimento entre 5,7% e 8% para o mercado segurador como um todo. Ou seja: o cenário que motivou a reportagem de 2021 não foi um pico isolado da pandemia. Ele virou uma trajetória de vários anos.

O que continua atual

A parte mais importante da entrevista de 2021, a lógica de que o seguro de vida deve ser pensado por perfil e não por produto padronizado, segue sendo exatamente o que especialistas do setor recomendam em 2026.

Reportagens recentes sobre planejamento de seguros para 2026 repetem o mesmo princípio com outras palavras: a decisão não deve ser guiada apenas pelo preço mais baixo, e sim por uma análise das necessidades reais de quem contrata (renda, dependentes, patrimônio, momento de vida) com apoio de um corretor que entenda esse contexto antes de indicar uma cobertura. É a mesma ideia central de Sabelli em 2021, com outro vocabulário.

Outra recomendação que resistiu bem ao tempo: comparar mais de uma seguradora antes de decidir, e ler o contrato com atenção antes de assinar. Isso não é uma particularidade do mercado de 2021, é uma boa prática que continua válida para qualquer produto financeiro de longo prazo.

O que merece uma leitura mais atual

Nem tudo precisa de ajuste, mas um ponto do texto original merece contexto adicional: a regra fixa de orçamento (a divisão em percentuais fixos entre despesas, investimentos e seguro).

Esse tipo de regra é útil como ponto de partida, mas o material mais recente sobre o tema tende a evitar propor um percentual único válido para qualquer pessoa. Em vez de partir de uma proporção fixa, a abordagem mais comum hoje é levantar primeiro as necessidades específicas (quem depende financeiramente da pessoa segurada, quais compromissos existem, qual seria o impacto de uma ausência) e só então dimensionar o valor da cobertura e o espaço que ela ocupa no orçamento. Não é uma contradição do que Sabelli disse em 2021, é um refinamento: o “sob medida” que ele já defendia naquela época é, hoje, o próprio critério que substitui a regra percentual fixa.

Sobre valores de entrada, o número de referência citado em 2021 (prêmios a partir de cerca de R$ 20 mensais) não é algo que dá para confirmar como válido para 2026 sem cotação atualizada: preço de seguro de vida varia por seguradora, idade, perfil de saúde e cobertura contratada, e muda com o tempo. O princípio por trás do número, o de que existem opções de entrada acessíveis no mercado, continua sendo repetido pelo setor, mas qualquer valor específico deve ser confirmado em cotação atual antes de ser usado como referência.

Da corretora de seguros ao multi family office

Um detalhe que a reportagem de 2021 não podia prever: o mesmo Cesar Sabelli citado ali como proprietário de uma corretora de seguros hoje está à frente da Sabelli Capital, que ampliou aquela atuação para um modelo de multi family office, reunindo seguros, saúde, crédito, investimentos, planejamento sucessório e consultoria contábil em uma única estrutura voltada a empresários e famílias.

Faz sentido como continuidade, não como mudança de rota. A ideia central da entrevista de 2021, a de que proteção financeira precisa ser pensada de forma personalizada e conectada à realidade de cada família, é também o princípio que hoje organiza a atuação da Sabelli Capital como um todo: seguro, saúde, crédito e investimento não como produtos isolados, mas como partes de uma mesma estratégia de proteção, crescimento e legado patrimonial.

Seguro de vida em 2026, na prática

Juntando o que segue válido da entrevista original com o que há de mais atual no setor, um roteiro prático para quem está avaliando um seguro de vida hoje:

•  Mapeie primeiro quem depende financeiramente de você e quais compromissos (dívidas, educação de filhos, negócio próprio) ficariam expostos na sua ausência.

•  Trate a cobertura como algo sob medida, não como um valor padrão de mercado. O perfil de um solteiro sem dependentes é diferente do perfil de quem sustenta uma família ou uma empresa.

•  Compare cotações de mais de uma seguradora antes de decidir, e leia as condições contratuais com atenção, principalmente carências e exclusões.

•  Reavalie a cobertura sempre que houver uma mudança relevante de vida: casamento, filhos, novo negócio, aumento de patrimônio.

•  Converse com um especialista para transformar esse levantamento em uma cobertura concreta, em vez de tentar estimar sozinho o valor ideal.

O veredito

A entrevista de 2021 envelheceu bem. O diagnóstico central (seguro de vida sob medida, por perfil e necessidade) continua sendo o que o setor recomenda cinco anos depois, e os números mostram que o crescimento do setor não foi um episódio isolado da pandemia, e sim o início de uma trajetória que segue firme em 2025 e projetada para continuar em 2026. O que mudou foi mais de forma do que de fundo: menos regra fixa de orçamento, mais análise individual de necessidades, e um Cesar Sabelli que hoje aplica essa mesma lógica em uma estrutura bem mais ampla do que uma corretora de seguros.

Reportagem original: “Seguro de vida cresce 11% em 2020: entenda para que serve e como escolher”, Eu Quero Investir, 16 de janeiro de 2021. euqueroinvestir.com/educacao-financeira/seguro-de-vida-cresce-11-em-2020-entenda-para-que-serve-e-como-escolher